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Abrolhos e Macramê: dois jeitos de conversar com o fio

Atualizado: há 5 dias

Quem observa um trabalho têxtil feito à mão costuma achar que tudo é macramê. Mas, quando se aproxima com mais atenção, descobre que existem técnicas muito diferentes convivendo nesse universo de nós, fios e paciência. Entre elas, o abrolhos e o macramê, dois modos distintos de construir beleza com as mãos.


O abrolhos é uma técnica delicada, feita fio a fio, geralmente aplicada diretamente sobre o tecido. Seu desenho nasce da repetição cuidadosa dos nós, criando pequenos relevos que quase saltam da superfície. É um trabalho que pede calma, regularidade e tempo.


Tradicionalmente, aparece em enxovais antigos, panos de uso cotidiano e peças domésticas que atravessaram gerações. Fazer abrolhos é aceitar o ritmo lento e silencioso do detalhe.



JoceArt_ Macramê_Abrolhos


Já o macramê é mais expansivo. Nele, o fio não depende de um tecido de base: a peça nasce do próprio entrelaçamento dos nós. É uma técnica que constrói forma e estrutura, permitindo volumes, vazios e desenhos mais livres. Por isso, o macramê costuma ocupar

o espaço: pendurado, apoiado, quase escultórico.


Eu trabalho com as duas técnicas, e é na prática que suas diferenças ficam mais claras. No abrolhos, o gesto é contido, repetitivo, quase meditativo. No macramê, o corpo se abre, os braços se afastam, o nó ganha presença. Um conversa com a superfície; o outro dialoga com o espaço.

Não vejo essas técnicas como opostas, mas como complementares.

Cada uma ensina um jeito diferente de lidar com o tempo, com o fio e com a memória. Entre o abrolhos e o macramê, sigo trançando histórias. Algumas miúdas e silenciosas, outras abertas e cheias de ar.  

Em todas, o fio aprende a contar.



 
 
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