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"Desde a infância,

a arte é meu verbo".

Prazer, Joce.

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Se me pego voltando no tempo para falar sobre arte, um registro marcante na memória é minha Madrinha, rodeada de potinhos de tintas interessantemente adoráveis e pincéis de todos os tamanhos.

O tilintar daquele afazer, quase um ritual, era profundamente satisfatório de assistir.

Havia ali um silêncio atento, quebrado apenas pelo som suave dos pincéis tocando o vidro,

pela água sendo trocada, pela espera entre uma cor e outra.

Com essa inspiração, desde a infância, a arte é meu verbo.

​​A Madrinha era irmã da minha mãe. Gêmeas.
Duas presenças que se espelhavam

e se diferenciavam no gesto.

Ambas aprenderam com minha avó a arte de costurar.

Não como ofício apressado, mas como saber transmitido no tempo: medir, cortar, alinhar, esperar.

A linha passando pelo tecido ensinava mais do que técnica. Ensinava atenção.

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Foi com elas que aprendi a colocar o fio na máquina, a manejar agulhas e a escolher linhas. 

E vendo minha mãe fazer colchas de retalho, entendi cedo que juntar tecidos e estampas não era apenas unir partes,

mas criar narrativas.

 

Depois vieram o tricô, o crochê, os abrolhos, o macramê

e outros trabalhos com fios. E o gesto de entrelaçar sempre esteve presente. Fragmentos que, quando costurados, se transformavam em abrigo, memória, permanência.

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Algo que aquece,

que permanece.

A pintura também passou a habitar esse território. Sou artista da tinta, fã das misturinhas atrativas, contempladora de cores e curvas: papel, tela, madeira, cerâmica, tecido, o que se apresenta.

Escolho cores - ou acredito escolher - aquelas que, gentilmente, me permitem pensar que criei algo quando, na verdade, são elas que decidem o tom de cada trabalho.

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Esse diálogo nunca ficou restrito a uma técnica.

Ele atravessa superfícies e gestos. Alguns trabalhos pedem delicadeza, outros firmeza.

Há os que nascem leves. Outros insistem e se aprofundam.

Mas cada projeto carrega um tempo próprio, uma forma de escuta, um ritmo.

 

Talvez por isso a música também tenha encontrado espaço no meu percurso.

Sou formada em Acordeom, Violão e Canto pelo Conservatório de Música do Solar do Barão, Curitiba em 1989.

Mas essa é uma influência e uma boa história que ficam para outro capítulo.

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Crio desde menina. O que aprendi com as mãos das mulheres

que vieram antes continua se revelando no que faço hoje, nesse movimento de juntar o que parece separado: cores, tecidos, papéis, cerâmicas, música, memórias, histórias.

​​​

Agora vejo minha filha, também uma menina,

desenhando, pintando, cozinhando, criando origamis.

Suas mãos repetem, à sua maneira, um gesto antigo.

Não igual, nunca igual. Mas conectado. ​

A história segue - não como repetição,

e sim como continuidade.

Talvez seja isso que a arte faça em mim: ela não começa nem termina numa técnica, nem em uma geração. Ela atravessa.

Passa de mão em mão, de gesto em gesto, de tempo em tempo. O que foi visto, aprendido e sentido antes continua seguindo adiante.

A arte, assim, não se ensina. Ela continua.​​​

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Sei que o que surge nas cores e formas traz uma

mensagem que encontra sentido em quem a recebe.​

Fica aqui o convite para você viver essa experiência,

onde o feito à mão continua contando histórias.​​

​​Minhas obras têm a missão

de dar recados.

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